Mensagem do Show do cartão Quero-Quero do dia 15 de setembro de 2012
Determinação
A casinha de
uma escola rural era aquecida por um velho e bojudo forno a carvão. Um
garotinho tinha a função de ir mais cedo à escola todos os dias, para acender o
fogo e aquecer o recinto antes que a professora e seus colegas chegassem.
Certa manhã, eles chegaram e encontraram a escola
engolida pelas chamas. Retiraram o garotinho inconsciente do prédio em chamas,
mais morto do que vivo. Tinha queimaduras profundas na parte inferior do corpo
e foi levado para o hospital do município vizinho.
De seu leito, o semiconsciente e pavorosamente
queimado garotinho ouviu ao longe o médico que conversava com sua mãe. O médico
dizia a ela que seu filho seguramente morreria – o que na realidade, até seria
melhor – pois o terrível fogo devastara a parte inferior de seu corpo.
Porém o bravo garotinho não queria morrer. Ele se
convenceu de que sobreviveria. De alguma maneira, ele realmente sobreviveu.
Quando o risco de morte havia passado, ele novamente ouviu o médico e sua mãe
falando baixinho. A mãe foi informada de que, uma vez que o fogo destruíra
tantos músculos na parte inferior de seu corpo, quase que teria sido melhor que
ele tivesse morrido, já que estava condenado a ser eternamente inválido e não
fazer uso algum de seus membros inferiores.
Mais uma vez o bravo garotinho tomou uma decisão.
Não seria inválido. Ele andaria. Mas, infelizmente, da cintura para baixo, ele
não tinha nenhuma capacidade motora. Suas pernas finas pendiam inertes, quase
sem vida.
Finalmente, ele teve alta do hospital. Todos os
dias sua mãe massageava suas perninhas, mas não havia sensação, controle, nada.
Ainda assim, sua determinação de andar era mais forte do que nunca.
Quando ele não estava na cama, estava confinado a
uma cadeira de rodas. Num dia ensolarado, sua mãe o conduziu até o quintal para
tomar um pouco de ar fresco. Neste dia, ao invés de ficar sentado na cadeira,
ele se jogou no chão. Arrastou-se pela grama, puxando as pernas atrás de si.
Arrastou-se até a cerca de estacas brancas que
limitava o terreno. Com grande esforço, levantou-se apoiando-se na cerca. E
então, estaca por estaca começou a arrastar-se ao longo da cerca, decidido a
andar. Começou a fazer isso todos os dias até que um caminho se formou ao lado
da cerca, e em volta de todo o quintal. Não havia nada que ele desejasse mais
do que dar vidas àquelas pernas.
Finalmente, com as massagens diárias, com sua
persistência de ferro e com sua resoluta determinação, ele foi capaz de ficar
em pé, depois de andar mancando, e então, de andar sozinho. Mais tarde, de
correr.
Começou a caminhar para a escola, depois passou a
correr para a escola, e a correr, pura e simplesmente, pela alegria de correr.
Na faculdade, integrou o time de corrida com obstáculos.
Depois, no Madison Square Gardem, aquele rapaz sem
esperanças de sobreviver, que seguramente não andaria nunca mais, e que jamais
poderia esperar correr – aquele rapaz determinado, o Dr. Glenn Cunningham, foi
o corredor mais rápido do mundo na corrida de uma milha!




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